VALE SALIENTAR que a utilização de cheque-caução para assegurar atendimento hospitalar é uma prática inconstitucional que afronta diretamente os artigos 196 e 197 da Constituição Brasileira.
A presidenta Dilma Rousseff determinou que o Ministério da Saúde apure o acontecido e entre com medidas cabíveis para a punição dos dois hospitais que se negaram a atender o Secretário.
A REALIDADE
O serviço de saúde brasileiro, público ou particular, deixa muito a desejar. Todos os dias casos como o de Duvanier acontecem, mas a mídia, quanto mais a figura da presidente, sequer mostra à população. Agora, por se tratar de um funcionário do alto escalão do governo, as atenções estão todas voltadas em punir os hospitais. E as melhorias dos serviços de saúde no Brasil? Não seria essa a melhor solução para o problema?
Duvanier foi mais uma vítima do descaso com o ser humano num mundo onde o dinheiro é o bem mais precioso. Não podemos permitir que mais cidadãos sofram do mesmo mal.
A presidenta Dilma divulgou uma nota de pesar pela morte de Duvanier Paiva, afirmando que o secretário teve “uma trajetória política destacada, tanto no movimento sindical, quanto no governo, em defesa da democracia e da justiça social no Brasil”. No entanto, no cargo desde 2007, Duvanier sempre apresentou uma conduta de total descaso e desrespeito com os servidores públicos. Ele chegou a declarar em mesas de negociações aos servidores frases do tipo: “quer ganhar mais, preste outro concurso”.
O SINTSEF/RN não vê esse tipo de comportamento como o de uma pessoa que teve uma vida de lutas pela classe trabalhadora, pelo contrário.
Já a CONDSEF, apresenta-se com uma postura contraditória em relação a Duvanier. Antes de seu falecimento, publicou declarações em oposição ao secretário – “a categoria não vai se intimidar com essas retaliações!”, e logo após a fatalidade, chegou a elogiar Duvanier Paiva e afirmar que as negociações sempre foram pautadas por respeito e atenção do então secretário, quando sabemos que esta não é a realidade.
Além disso, Paiva sempre buscou adiar as negociações até o momento em que não fosse mais possível que os servidores conseguissem benefícios, e nem usufruíssem o direito de greve, já que não haveria mais o que protestar com a falta de tempo para negociação.
“Se fizer greve, vai ser cortado o ponto!” declarou Duvanier Paiva poucos dias antes do seu falecimento em matéria publicada em nosso site. Esse tipo de declaração é de tom abusivo, pois o direito de greve é assegurado pela constituição brasileira. E era neste tom que o secretário costumava lidar nos processos de negociação.
Resta esperar quem será o próximo a ocupar o seu cargo. Alguém cujo perfil não se assemelhe ao de Duvanier, pois do contrário continuaremos no mesmo barco. Remando no mesmo ritmo de abusos do governo e negações aos benefícios que são por direito pertencentes aos servidores.
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